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Boa noite meninas e meninos! Hoje vou colocar o bate papo que fiz com a Natalia e o Marcelo, eles são os proprietários do Catharsis – Doces e Salgados Vegano, o buffet vegano de São José dos Campos 😉

foto por Marcelo Kollapso

Os sócios e como surgiu a necessidade de criar um buffet vegano na região.

Marcelo: Eu aprendi a cozinhar praticamente junto com a Natália, pois viramos vegetarianos na mesma época (em 2005), e precisávamos nos virar para poder comer, pois na época não era tão fácil encontrar produtos ovolacto-vegetarianos, quem dera veganos. Passaram-se os anos, eu estava decepcionado com a minha área de atuação profissional, queria fazer outra coisa, mas precisava de dinheiro rápido.

Natalia: Eu me formei em Relações Públicas, e atuo como freelancer. Alguns dos meus clientes me designam a função da realização de eventos, e passei a observar que uma parcela considerável dos convidados, ou era ovolacto-vegetariana ou mesmo vegana. Eu não encontrava nenhum buffet que atendesse a demanda de público e precisava sanar o problema. Conversando com o meu amigo, Marcelo, tivemos a idéia de nós mesmos fazermos a parte vegan das festas, churrasco, almoços e afins.

Marcelo: Após fazermos o primeiro evento, a demanda foi crescendo espontaneamente. Uma pessoa foi indicando para outra, e assim, com quase nenhuma divulgação que partisse de nós mesmos, passamos a ter um público.

O Buffet – Catharsis – atende somente São José dos Campos?

Natalia: A resposta é: depende do pedido. Na época do natal, vendemos uma grande quantidade de chocotones vegans para Taubaté e Pindamonhangaba, no entanto, esse é um produto de fácil transporte. O mesmo não ocorre para congelados, pois não temos transporte próprio, muito menos adequado. No entanto, para alguns tipos de pedidos, que pedem uma demanda maior, temos algumas parcerias, em que podemos nos deslocar, levar o que pudermos adiantado, e fazemos o restante no dia da entrega. Um exemplo, que faremos ainda, será um Chá Lingerie, que acontecerá na cidade de São Paulo.  Temos uma parceria com a Vegan Junkie Food, um delivery de uma amiga minha, que cederá sua cozinha e mão de obra para que possamos atender ao pedido, e logicamente, dividiremos os lucros.

Os produtos são mais caros por serem veganos?

Marcelo: Mantemos os preços padronizados aos similares ditos ‘normais’, que levam carne e derivados de animais. O valor não muda muito em relação aos salgados. Algumas vezes, fica até mais barato. O mesmo não acontece em relação aos doces que precisam de condensado de soja, ou creme de soja, por exemplo, uma vez que são ingredientes mais caros que os industrializados que levam lactose. Poderíamos fazer nós mesmos, no entanto, estamos em um momento em que precisamos ganhar tempo. Poderíamos agregar um valor a mais aos produtos, pela especialidade, por ser difícil encontrar opções vegans na cidade, no entanto, nosso objetivo não é explorar essa segmentação de mercado, e sim, difundir ainda mais o estilo de vida vegano e poder ganhar algum dinheiro com isso.

Eles são 100% veganos?

Natalia: Sim, não trabalhamos com derivados de animais, pois tão cruel quanto comer um bife, é tomar um copo de leite. A indústria leiteira é extremamente agressiva aos animais, que sofrem e tem esse sofrimento prolongado. Você poderá ouvir todas as nossas razões nesse podcast.


Qual o cardápio oferecido pelo buffet?

Marcelo: Para eventos empresariais e festas, adequamos o cardápio de acordo com as solicitações dos clientes. No entanto temos opções de salgados e doces padrões. São elas: Hambúrgues (soja tradicional/sabor artificial bacon ou grão de bico), Kibes, Coxinhas de massa de batata e recheio com soja, Pizza enrolada (soja ou legumes), Pastel de forno (recheio legumes/soja), Bolinho Caipira, Espetos de Soja, Bolinha de batata, Bolos doces Vegans/festa, Bolos doces ‘Chá da Tarde’, Cupcakes vegans (chocolatte, limão e laranja), Panettone vegan e Chocottone vegan.

Nos dias de hoje, quais são os desafios enfrentados por um vegano?

Natalia: O maior desafio de uma pessoa que decide se tornar vegan, na minha visão, nem é conseguir manter-se na dieta, e sim confiar nas empresas, uma vez que, tirando poucas exceções, elas visam a exploração dos recursos do homem de todas as formas, visando sempre o lucro, passando por cima de ética e valores pessoais. Um grande exemplo disso, foi a recente descoberta de que a Yoki, que até então possuía a simpatia de vegans por não testar nenhum produto em animais, revelar que sintetiza a vitamina D, presente em todos os seus leites de soja, a partir de carneiros. A empresa somente revelou essa informação, após pressão de grupos para saber a origem dessa vitamina. O mesmo já aconteceu com empresas de calçados, que afirmavam ter linhagem EcoFriendly, no entanto possuíam camursa de origem animal. É um desafio estar pesquisando constantemente sobre as empresas, pois elas mudam de postura o tempo todo. Além da pesquisa é necessário que haja uma fiscalização, e o compartilhamento de informações. Ser vegano é além de tudo, pensar no coletivo.

A mensagem dos sócios aos leitores do Cereja n’ Pimenta:

Natalia: Tornar-se vegetariano ou vegano é uma escolha extremamente pessoal. Mantêm-se, aqueles que realmente tiveram uma mudança de valores. No entanto, se você opta por continuar comendo carne e seus derivados, que seja de uma maneira consciente. Saiba de toda e dor e sofrimento, conheça todo o massacre que acontece todos os dias, os impactos ambientais e sociais que, consumir, acarreta. E se, ainda assim, você quiser continuar, respeitarei sua escolha. Mas conviva com a responsabilidade das suas escolhas.

Marcelo: Temos que nos orgulhar da nossa postura, mesmo com todas as pressões e adversidades do dia-a-dia. Contribuímos com a luta pela libertação animal, salvamos vidas todos os dias e é gratificante ter a consciência de que você não faz parte de algo que traz sofrimento para outros seres vivos.

Quem quiser conhecer mais o trabalho desse pessoal é só acessar a fan page. Eu estou com água na boca e louca para experimentar esse espetinho! Boa noite 😉