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O cenário é a Fashion Week de Paris, um luxo, como se sabe. Um luxo a ser pago com talento: pra estar lá tem que no mínimo merecer, de estilistas a jornalistas. Os jornalistas…

Colocam seus devidos bumbuns de ouro na fila A para ver tudo nos mínimos detalhes para depois, jorrar críticas horríveis de costura ou babar ovo até não poder mais na nova coleção da Miuccia Prada. E o que acontece quando esse ciclo fechado de privilegiados é furado por uma fashionista de 14 anos?

No desfile da Dior de inverno de 2010, a blogueira americana Tavi Gevinson, de 14 anos,apareceu na primeira fila com um maxichapéu na cabeça, tapando a vista de alguns editores de revistas famosas. Inclusive a editora da revista Grazia que, furiosa, tirou uma foto domaxichapéu de laço, publicou em uma rede social e soltou o verbo contra Tavi.

Desde então, um grande debate sobre a importância (ou não) dos blogs de moda estabeleceu. Muitos editores e críticos de moda desprezam completamente o trabalho das blogueiras. O jornalista Alcino Leite Neto chegou a dizer que “são apenas cordeiros do mercado de moda, muito subservientes aos seus ditames”, onde você conclui que ele não lê blogs de moda. Anna Wintour (alguém que nós realmente devemos ouvir), por sua vez diz “quanto mais, melhor”,isto é, não importa onde se esteja, “todo mundo falando de moda é uma coisa boa”.

Claro, Anna tem noção completa do quanto os blogs de moda são fortes para todo seu sistema. Desprezar essa prática é sintoma de jornalistas tradicionais e quadrados achando que só se for escrito no papel impresso é legítimo. Ledo engano.

Eles não contavam que os blogs de moda fossem arrecadar e fazer tanto dinheiro com dicas de mulher pra mulher e não ter de decifrar a linguagem romancista dos críticos para entender a moda. Acima de tudo, entre gastar uma grana em revistas de moda e ter todo o conteúdo na internet de graça… qual você acha que as pessoas iriam preferir? Qual você iria preferir? 😉

Acho que se tem algo que “tem que ter”, é o equilíbrio. Ao mesmo tempo em que alguns críticos são infelizes ao desprezar as blogueiras, algumas delas elas também não são espertas aotravarem guerras homéricas com editores e críticos de moda. Todos devem entender que um complementa o outro. A blogueira põe em prática, na rua, tudo o que o crítico ou o editor escreve na teoria. Tanto que agora, as próprias revistas dão um espaço gigante para moda de rua, fotografando as roupas bonitas da mulherada, prática que quem popularizou foram as blogueiras, empenhadas em achar um modelo lindo para postar naquele dia.

Nós blogueiras temos de entender que há muito ainda o que aprender. Achar que já sabe de tudo só porque decorou todas das marcas da FW de Paris não é saber de moda, é consumir. Moda não é um campo raso de conhecimento, como a mídia que não é de moda às vezes faz parecer. Então, todo o conhecimento e informação útil são válidos para fazer do seu blog um guia para outras mulheres.

Já os editores e críticos tem que entender que ninguém quer roubar o lugar deles. Continuem criticando, meus amores, vocês são essenciais para o bom senso da moda. Mas nós, as blogueiras, vamos continuar decifrando seus textos lindíssimos para adaptar o raciocínio e usar na rua, pois temos de concordar que essa é a nossa realidade. A rua, o prêt-à-porter, não uma passarela.

Ariel Farineli