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O sonho de identidade (ser  ela mesma, e que

esse  ela mesma obtenha o reconhecimento dos

outros)… Vê-se, portanto a mulher de Moda

sonhar, ao mesmo tempo, que é ela própria e

uma outra… (ser outra mudando somente esse

detalhe)… a multiplicação das pessoas num

único ser é sempre considerada pela Moda como

um índice de poder… vê-se a Moda “brincar

com o tema mais grave da consciência humana

(Quem sou eu?) – Goffman

Quando nascemos, automaticamente somos inseridos a um determinado grupo, a partir daí é começado o processo de construção da nossa identidade. Nos dão um nome e mais tarde o Estado nos classifica como um número. Aparece então a necessidade de afiliação social e de auto-estima. Cada vez mais nos integrando e interagindo com diversos grupos, instituições, aumentando nossas referências do que queremos ser e do que não queremos ser. Os anseios de auto-afirmação e auto-expressão ficam mais fortes.

Incessantemente procuramos ferramentas para nos diferenciar, logo, não subitamente, mas sorrateiramente, a Moda nos escraviza como meio poderoso de integração, nos dá a falsa sensação de unidade, quando na verdade está nos igualando e nos confundindo com um grupo. Como Goffman disse, a Moda brinca com o nosso sonho de identidade. Confunde e se integra ao nosso ego e superego.

Aviso de antemão que meu objetivo não é mal dizer ou polemizar a Moda, é apenas compartilhar uma reflexão subjetiva da crise de identidade do homem moderno, da procura por ela, da mesmice que nega a totalidade que o indivíduo acredita ter unificado. Já pensou nisso?